Como construir uma marca pessoal forte no desporto

Nos últimos anos temos visto muitos profissionais talentosos tentarem crescer nas redes sociais. Publicam conteúdo de forma aleatória, criam logótipos demasiado cedo, escolhem cores porque “gostam” delas e começam a comunicar sem perceberem verdadeiramente aquilo que os diferencia. O resultado costuma ser sempre o mesmo: páginas visualmente aceitáveis, mas sem identidade, sem posicionamento e sem capacidade real de gerar confiança ou negócio.

A verdade é que uma marca pessoal forte nasce da clareza das ideias. Clareza sobre quem somos, quem queremos ajudar, o que nos diferencia e que tipo de perceção queremos criar na cabeça das pessoas.

Foi exatamente esse o processo que desenvolvemos recentemente com o treinador de basquetebol Miguel Sousa.

O Miguel já tinha experiência, conhecimento e paixão pela modalidade. Já treinava atletas, já tinha anos de competição e uma visão clara sobre a importância do treino individual. Mas faltava transformar tudo isso numa marca. E isso são duas coisas completamente diferentes.

Uma pessoa pode ser muito competente e continuar invisível digitalmente. É aqui que entra o branding pessoal.

Antes de pensar em design, redes sociais ou conteúdos, começámos pela parte mais importante de todas: o briefing estratégico. E honestamente? É aqui que a maioria falha.

Um bom briefing serve para obrigar a pessoa a refletir. Obriga-a a definir o público-alvo, a perceber que não pode comunicar “para toda a gente”, a identificar a sua proposta de valor e a compreender como quer ser vista. No caso do Miguel, fomos trabalhar questões fundamentais: que tipo de atletas pretende ajudar, que resultados quer proporcionar, qual a sua personalidade enquanto treinador e que tipo de comunicação faz sentido para o seu posicionamento.

É muito comum profissionais responderem inicialmente com frases vagas como “quero ajudar toda a gente” ou “quero melhorar jogadores”. Mas uma marca forte vive de especificidade. Quanto mais clara é a mensagem, mais forte é a perceção. E isso muda completamente a forma como o público reage ao conteúdo.

Depois dessa fase estratégica, começámos a construir a identidade da marca. Não apenas visualmente, mas também verbalmente. Definimos os arquétipos da marca, o tom de comunicação, os pilares de conteúdo, o tipo de mensagens que deveriam ser repetidas ao longo do tempo e até a energia visual que a marca deveria transmitir.

No caso deste projeto, o objetivo era claro: criar uma marca associada a evolução, performance, consistência e trabalho individual. Isso influenciou tudo — desde as cores escolhidas até à forma como os textos seriam escritos.

A partir daí, desenvolvemos o mini brand manual, os templates para redes sociais, os destaques do Instagram e toda a estrutura de comunicação inicial. O objetivo era criar uma presença digital coerente, profissional e preparada para gerar confiança desde o primeiro contacto.

Outro ponto importante neste tipo de projetos é perceber que as redes sociais deixaram de ser apenas entretenimento. Hoje, o Instagram funciona como site, portfólio, cartão de visita e prova social ao mesmo tempo. Em poucos segundos, uma pessoa decide se confia ou não naquilo que vê. E essa decisão raramente é racional — é perceção.

Quando alguém entra numa página e sente clareza, consistência visual, mensagens fortes e posicionamento bem definido, automaticamente atribui mais valor à marca. É exatamente isso que o branding bem construído faz.

No caso do Miguel Sousa, a estratégia passou também por estruturar conteúdos alinhados com um funil de vendas real. Em vez de publicar apenas vídeos de treinos aleatórios, organizámos temas por objetivos: conteúdos de atração, conteúdos educativos e conteúdos de conversão. Isto permite que a página gere interesse e, mais importante ainda, clientes.

Branding é direção.

Ao longo deste artigo, vou deixar alguns exemplos do processo desenvolvido: o vídeo de apresentação, partes do manual de identidade e alguns dos conteúdos criados para a marca. Mais do que mostrar design, quero mostrar a importância do pensamento estratégico por trás de cada decisão.

Se tens um negócio, és treinador, criador, consultor ou profissional independente e sentes que a tua presença digital ainda não reflete o teu verdadeiro valor, provavelmente o problema não está apenas no conteúdo. Está na base da marca.

E quase sempre, tudo começa com as perguntas certas.

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